sexta-feira, 4 de julho de 2014

Um cara aí


Ele passou pela minha vida faz um tempão. A gente andava de bicicleta pelo condomínio, eramos da mesma turma. Um dia ele pediu pra ficar comigo. Desse jeito besta mesmo, mas eu gostei da besteira dele por que de certo modo parecia com a minha. Foi um beijo só, suave, bom e meu primeiro. Dele também, mas isso eu só soube depois, fez diferença por que essas coisas sempre mexem com a gente, involuntariamente. Na época eu fui boba e inocente como se é com 14 anos e o primeiro beijo ficou sendo único. E ele ficou sendo meu amigo desde então.

Depois a turma deu uma afastada, mas ele ainda estava no alcance dos meus olhos. Acompanhava de longe, gostava de saber dos detalhes que ficavam expostos, largados pelos corredores do colégio. Uma conhecida minha teve uma história com ele, por alguns bons meses. O comentário era que ele não assumia nada sério, metade dizia que ele era do tipo pegador, e metade que ele não gostava realmente dela. Não sei, eu sempre gostei da minha versão: ele só não tinha certeza de nada. E na real, quem tem?

Depois do colégio eu só soube que ele tinha planos de morar da Europa. Achei inteligente, digno e aventureiro. Torci pra que desse certo, que ele tivesse sucesso nisso. As fotos no feed me deixavam animada e feliz, ele estava bem. Mas aí ele voltou pra cá. Acredito que por saudade da família, por vontade de tentar dar certo por aqui mesmo. Ou sei lá, tenha esquecido de levar uma coisa importante.

Ele esteve comigo outro dia, fazendo planos, sorrindo leve. Eu reparei que ainda admiro o seu jeito simples e boa praça de ser. Reparei que tenho um apreço imenso por ele e reparei finalmente que ele não passou pela minha vida á um tempão, ele permanece na minha vida faz um tempão. E não intensamente, não com uma amizade de infinitos rolês ou conversas de horas. Ele só está ali, e é o suficiente.

Com cada pessoa a gente desenvolve um relacionamento único, que não tem a menor necessidade de explicação. Eu gosto do abraço bonito dele, e da maneira que ele leva a vida. Pode ser amizade, carinho ou qualquer outra coisa. Sinceramente, se a explicação for afetar esse vinculo, eu dispenso.

Prefiro ficar com esse sentimento que eu não sei o que é. Deve parecer meio besta pra você, mas de certo modo, parece um pouco com a besteira dele, então por mim, está tudo bem.


4 comentários:

  1. tocante,parece muito comigo mas no meu caso encontro um amor na infância e agora eu revir ele,e ele mexeu muito com algumas coisas aqui dentro.
    porqueestrelas.blogspot.com.br

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    1. obg! amores vem e vão, o melhor é sempre tirar um pouco de arte deles! ; )

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  2. Oi Débora, to apaixonada nesse texto e na facilidade que você tem de colocar sentimentos nas palavras, nunca pare de escrever. Vi seu texto no blog da Fernanda Campos e venho acompanhando desde então. Beijos.
    http://amargasmemorias.wordpress.com/

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    1. Obg! Fico felizona com isso! Continue acompanhando, vou acompanhar o seu tbm ; )

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